sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Chuva supera média do mês em poucas horas no Oeste gaúcho





Um centro de baixa pressão ingressa neste momento pelo Oeste do Rio Grande do Sul e deve cruzar o Estado nas próximas 12 horas, devendo se transformar em um ciclone extratropical ao alcançar o oceano entre amanhã e domingo. A atuação deste sistema de baixa, conforme já havia sido alertado, provoca elevados volumes de chuva nesta sexta-feira principalmente na Metade Oeste gaúcha. Os modelos numéricos resolveram com excelente precisão o posicionamento da chuva mais intensa na região entre Uruguaiana, Alegrete e Quaraí. Conforme dados das estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume de chuva até 15h desta sexta alcançava 118,4 milímetros em Quaraí, 97,4 milímetros em Uruguaiana e 50,6 em Livramento. Os volumes de chuva na região de Uruguaiana e Quaraí em menos de 24 horas alcançam ou excedem a média de todo o mês. Em Porto Alegre, conforme dados do Metroclima, até o mesmo horário, as precipitações somavam 34,8 milímetros em Belém Novo, 30,6 na Lomba do Pinheiro, 23,1 no Menino Deus, 22,1 na Sertório e 21,1 milímetros no bairro Moinhos de Vento. Veja na animação a trajetória até domingo do ciclone projetada pelo Cptec/Inpe que é idêntica à prevista pela MetSul Meteorologia.



Este ciclone não parece ser um evento inclinado a provocar uma onda de temporais no Rio Grande do Sul, uma vez que grande parte do Estado já se encontra sob temperatura menor e instabilidade, o que atenua o risco de tempestades de vento e granizo de curta duração, apesar da possibilidade não estar afastada em pontos isolados. O Norte gaúcho, onde segue quente, seria uma área com possibilidade maior de temporais localizados. A chance mais significativa de temporais, entretanto, é maior mesmo para Santa Catarina e principalmente para o Paraná, São Paulo e o Mato Grosso do Sul, sobretudo entre amanhã e domingo, quando o ramo frontal (frente fria) do ciclone deslocar-se para o Norte. Estes estados podem, devem, porém ter temporais nas próximas horas associados ao ar quente e úmido de baixa pressão. Várias projeções sinalizam o risco de chuva forte a intensa em São Paulo neste fim de semana. Os maiores transtornos aqui no Rio Grande do Sul, em princípio, devem ser resultado mais da chuva intensa e do vento que pode soprar forte neste sábado.

O que deve ocorrer daqui para a frente ? Os valores de pressão ainda não estão baixos, até porque o ciclone ainda não se formou, mas devem cair muito hoje à noite e durante a próxima madrugada. À medida que a baixa for se aprofundando sobre o Estado, a chuva deve aumentar associada ao seu flanco Sul, o que traz o risco de intensas precipitações na noite de hoje e no sábado, conforme análise da MetSul, nas áreas próximas da Lagoa dos Patos, o que coloca as áreas de Pelotas, São Lourenço do Sul, Tapes, Camaquã e Porto Alegre na região de risco. Para Pelotas, por exemplo, há modelos sugerindo que a chuva pode exceder 100 milímetros neste sábado. A MetSul Meteorologia mantém a sua grande preocupação com o risco de chuva orográfica nas encostas da Serra no Litoral Norte gaúcho e no Leste catarinense

O vento até agora tem sido fraco a moderado, como poderia se esperar, uma vez que, como dito, o ciclone ainda não se formou. Neste sábado, entretanto, com o sistema de baixa sobre o mar e se aprofundando muito rapidamente, com provável oclusão, é de se esperar que o vento aumente e bastante principalmente no Leste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. As regiões sob maior risco de vento forte a intenso são as áreas da Lagoa dos Patos, o Litoral Norte e o Leste catarinense com rajadas que podem se suceder por horas seguidas. Para o Rio Grande do Sul, os modelos indicam chance de vento mais forte para o Litoral Norte e para a parte meridional da Lagoa dos Patos (Pelotas/Rio Grande), onde as rajadas podem ficar entre 80 e 100 km/h, não se descartando valores superiores a 100 km/h. O modelo norte-americano, por exemplo, projeta o vento mais forte neste sábado para Torres, Tramandaí e Pelotas aqui no Rio Grande do Sul. Também o Leste de Santa Catarina deve ter vento forte e há risco de rajadas até intensas em Florianópolis, sobretudo na segunda metade do sábado e na madrugada do domingo.

Prossegue a tendência do ciclone seguir se intensificando, para uma pressão mínima central de 980 a 985 hPa entre domingo e segunda-feira, mas o sistema estará se distanciando do continente. Poderá, porém, provocar instabilidade pela sua circulação de umidade no Leste e Nordeste do Rio Grande do Sul enquanto no restante do Estado a tendência é de queda de temperatura e o retorno do sol. (Agradecimento para o meteorologista Giovanni Dolif do Cptec/Inpe)
Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 11/12/2009 15:51


RONIMAR COSTA DOS SANTOS - PU3CVB
DIR DPTO SOCORRO E DESASTRES CVBSM
GPD - GRUPO DE PREVENÇÃO DE DESASTRES
COORDENADOR DA RENER -SM
OFICIAL DO IRESC PARA O BRASIL
pu3cvb@iresc.org
http://www.iresc.com
www.cruzvermelhasm.org.br

Tel (55) 3027-4510
Cel (55) 9181-0916

Nenhum comentário: