
Quarta-feira 10/03/2010 07:27
Um ciclone muito raro, extraordinário do ponto de vista científico para o nosso clima regional, ainda classificado oficialmente como subtropical pelos Estados Unidos, mas que pela nossa análise já evoluiu para tropical, segue atuando na costa do Rio Grande do Sul. Os mais recentes dados do chamado best track do sistema, do meio da madrugada, acusavam ele posicionado a 29,5 graus de latitude Sul e 48 graus de longitude Oeste, muito perto da posição anterior de seis horas de 29,9 graus Sul e 48,1 graus Oeste. Significa que o centro do ciclone pouco mudou de posição na madrugada, deslocando-se um pouco para Norte e Noroeste. Já as imagens de satélite, que oferecem uma idéia mais atualizada, acusam que o ciclone tropical começou a se afastar de forma mais vigorosa para Leste, distanciando-se mais do continente agora ao amanhecer.
A última estimativa da escala de Dvorak de ciclones tropicais é a mesma da noite de terça-feira com valor de 2.5, o que equivale a vento médio sustentado de 35 nós (64,8 km/h) em 1 minuto e 31 nós (57, km/h)na média de 10 minutos, o que coloca o fenômeno com o status de uma fraca tempestade tropical.
Nas últimas horas, o sistema perdeu um pouco em simetria, mas segue organizado junto à costa gaúcha como uma circulação fechada com o seu centro agora ao amanhecer de quarta parcialmente encoberto por nuvens após ter apresentado um olho muito bem definido nas imagens de satélite do final da terça-feira e do começo da quarta-feira.
Imagens de satélite especialmente processadas para análises de ciclones tropicais são claras em indicar que as características estruturais deste sistema junto ao litoral gaúcho são de um ciclone de natureza tropical com centro quente, apresentando simetria típica deste tipo de fenômeno.
O que mais chama a atenção é a nitidez com que se observa uma banda de nebulosidade concêntrica que sugere ter se desenvolvido uma parede do olho, algo totalmente atípico para os ciclones rotineiros que atuam na nossa região (extratropicais), mas comuns nos sistemas tropicais.
A grande preocupação da população de áreas costeiras é com a possibilidade de vento forte. Esta espetacular imagem, pela sua riqueza de dados ao qual não estamos acostumados a ver, mostra que a área de vento forte a intenso (na cor escura no mapa) está toda ela concentrada sobre o mar com sua borda ocidental muito próxima da faixa costeira no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
O vento deve soprar moderado com ocasionais rajadas fortes nos litorais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com rajadas que podem chegar a 50 km/h a 80 km/h, mas, novamente, a MetSul Meteorologia enfatiza que o risco maior é a chuva. Nesta manhã já ocorrem pancadas fortes localizadas e com a interação entre a umidade da circulação ciclônica e o aquecimento diurno deve se desenvolver nebulosidade mais carregada que tende a provocar chuva forte a torrencial localizada e passageira com possibilidade de causar transtornos como alagamentos em pontos do Leste do Rio Grande do Sul, o que inclui a Serra, o Litoral, a região das lagoas e a Grande Porto Alegre. Podem ocorrer volumes altos de precipitaçãoem curtos períodos no Leste gaúcho. Na Metade Oeste, não se descarta chuva forte localizada e temporais isolados da tarde para a noite à medida que se espera que haja avanço de umidade mais para Oeste, onde a temperatura estará mais alta. Cabe recordar que sob circulação ciclônica é normal haver variação constante da cobertura de nebulosidade com períodos de tempo mais aberto, em que o sol até aparece, com outros de tempo maisd fechado em que se pode produzir chuva até forte a intensa em verdadeira enxurradas localizadas.
A tendência, portanto, é que centro da tempestade fique mesmo em mar aberto até a sua dissipação, não se desenhando uma grande intensificação, o que torna muito remota, neste momento, a possibilidade deste ciclone tropical converter-se em furacão. Ante a natureza peculiar e não raro volátil deste tipo de sistema, o monitoramento prossegue de forma muito atenta para mudanças de prognóstico em caso de qualquer alteração significativa do comportamento da tempestade.
Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 10/03/2010 07:27
RONIMAR COSTA DOS SANTOS
PU3CVB
GPD- GRUPO DE PREVENÇÃO DE DESASTRES
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